segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Boletim da Parapsicologia


ASSOMBRAÇÕES



O relato asseguir referece a varios casos reais envolvendo fenômenos que a parapsicologia tem explicações a tais acontecimentos.            



Muitos livros de parapsicologia estudam este caso. Richard William Bell tinha seis anos na época em que começaram os problemas em sua família e muitos anos depois escreveria um livro, "Our Family Trouble", logicamente com várias e evidentes distorções em suas lembranças. O núcleo, porém, é muito claro.

 



            John Bell, com sua esposa Luce e seus nove filhos, vivia numa grande fazenda no Condado de Robertson, no estado de Tennesse, EUA. Betsy tinha doze anos quando começou o poltergeist, e 16 quando terminou em tragédia com a morte do fazendeiro. Inicialmente se tratava de tiptologias tipo arranhadelas, que logo se converteram em pancadas cada vez mais fortes e "inexplicáveis". Com o passar do tempo começaram as telecinesias tipo cadeiras e louças pelo chão de toda a casa, e aportes em forma de chuva de pedras e paus.
            ** Os dois escritores Bell destacavam nos seus livros que os fenômenos giravam com destacada e indiscutível preferência ao redor de Betsy...
            Quando os fenômenos começaram a ser agressivos, o casal compreendeu que não poderia continuar mantendo o problema em  segredo, e que precisava de ajuda. Poderia ser meramente uma espécie de pesadelo quando os pequenos Richard William e Joel acordaram aos prantos e gritos dizendo que alguém lhes puxara os cabelos, mas Elisabeth (Betsy) certamente se sentiu atormentada por várias horas durante aquela noite.
            Acudiram então ao pároco, pastor James Johnson, que logo atribuiu os fenômenos aos demônios, apesar de as psicofonias serem  muito piedosas, pois repetiam os sermões do próprio Johnson e de outro pastor seu colega! O pastor recitou sobre a família os macabros exorcismos.
            O efeito da sugestão foi aparentemente benéfico só por pouco tempo, porque a tensão se acumulou e estourou precisamente pela macabra sugestão demonológica: logo as psicofonias, em vez de sermões, repetiam grandes blasfêmias; e Betsy explodiu em violenta auto-sugestão. Dizia receber violentos tabefes. Ninguém via a mão agressora, mas todos viam aparecer imediatamente marcas vermelhas no seu rosto (dermografia). E viam os violentos e contínuos puxões de cabelos que faziam-na rolar pelo chão em contorção de dor. Betsy entrava em transes ou desmaios que duravam até meia hora. Acordava em meio a psicofonias tipo assobios estridentes e vozes ininteligíveis.
            Após o fracasso dos exorcismos, passaram a atribuir os fenômenos ao espírito de uma bruxa falecida. O pastor Johnson primeiro, depois numerosos vizinhos, vieram fazer consulta à bruxa, e obtinham respostas por meio das tiptologias nas paredes, e de psicofonias rudimentares, sons como de estalidos com a língua. Um médico, para certificar-se de que as psicofonias não eram hábeis truques de ventriloquia, tampava a boca de Betsy com as mãos. As psicofonias continuavam.


.Neste caso pioneiro (1817 a 1821) e famoso, os pesquisadores modernos logo,  é claro, garantem que não eram demônios nem o espírito da bruxa, senão, como sempre, o inconsciente de Betsy, quem dirigia a sua própria telergia.
            ** Muitas das psicofonias expressavam os sentimentos de Betsy:
            Com referência ao pai, as psicofonias - e outros fenômenos - manifestavam um ódio feroz, prometiam atormentá-lo o mais possível e por todo o resto da sua vida. Havia motivo...
À mãe mostravam todo o carinho que a própria Betsy sempre manifestava.
Com respeito aos irmãos Joel, Richard e Drewry manifestavam essa ambivalência freqüente entre os irmãos: as psicofonias os insultavam, ameaçavam, e voavam pedras e paus vindos "do nada", mas nunca lhes causaram ferimento (o leitor, lembrará que a telergia de uma pessoa não pode agir sobre outras pessoas, a não ser de raspão ou de ricochete). Os outros irmãos, dada a diferença de idade, pouco se relacionavam com Betsy, e os fenômenos praticamente os ignoravam. Simples relacionamento, também sem emotividade, com os vizinhos.
            ** Com referência a si mesma, Betsy mostrava a divisão da sua personalidade. Refiro-me agora ao rompimento com o noivo. Sob o véu de ameaças, na realidade se defendia a si mesma.
            Quando Betsy tinha entre 13 e 14 anos, namorava um vizinho, Joshua Gardner. As vozes constantemente sussurravam: "Por favor, Betsy Bell, não aceite Joshua", "suplico-lhe, não se case com Joshua"..., e choviam ameaças de uma vida de tormentos se não atendesse os conselhos das psicofonias. Assim todos aceitaram o rompimento.
            ** Para o fazendeiro, os fenômenos e as ameaças psicofônicas da filha terminaram tragicamente:
A angústia, a superstição, o medo, os remorsos - tinha motivos para isso! - arruinaram sua saúde, que quatro anos antes parecia inquebrantável. Sentia fortes cãimbras nos maxilares, a boca intumescida, a língua se inchou de tal modo que no fim não podia nem ingerir alimentos nem falar. Os tiques nervosos começaram ao redor da boca, estendendo-se depois a todo o corpo. Tinha transes e convulsões que duravam até quinze dias. Por vários meses foi vítima de delírio, obrigado a permanecer de cama. Num dia do outono de 1820, John Bell reagiu contra a prostração, levantou-se da cama e saiu a inspecionar a fazenda. Subitamente cambaleou, caiu prostrado, e os filhos viram espantados como "o rosto se contorcia de um modo horroroso", enquanto seus sapatos saíam dos pés e voavam longe, para repetir a mesma operação sempre que um dos filhos tentava calçá-lo. A cena era acompanhada por psicofonias "em zombaría de nós" e "gritos demoníacos". O pai teve de ficar de cama de novo. Um mês mais tarde, em 19 de dezembro, foi encontrado em profundo sopor, do qual morreu. Ao lado, o vidro onde o remédio receitado pelo médico fora substituído por "uma beberagem escura". O médico fez com que o gato engolisse a beberagem, e o animal morreu em poucos minutos.
            ** Suicídio? Pouco provável, dada a invalidez do fazendeiro. Poderia ser um assassinato inculpável e inconsciente numa das freqüentes trocas de personalidade de Betsy, que assim plasmou e levou até as últimas conseqüências seu ódio ao pai.
            Quando o médico chegou para lavrar o atestado de óbito, o inconsciente de Betsy - secundus, "a bruxa" - disse pela psicofonia:
            "Não perca tempo com o velho, desta vez agarrei-o bem, não mais levantará". No dia seguinte, quando o cadáver do fazendeiro descia à sepultura, a psicofonia permitiu-se o acidente de entoar uma canção de bêbados...
             ** Tudo indica que o agudo sentimento de culpa de John Bell e o ódio que a filha sentia tinham desencadeado a cisão da personalidade de Betsy e de seu pai.
            Betsy era sexualmente precoce. Seu ambiente familiar era extremamente fechado de critérios. O pai, hipocritamente puritano.
            Muito acertadamente o psicanalista Nando Fodor chama a atenção para a coincidência do início de "poltergeist" com o despertar sexual de Betsy e as primeiras manifestações do complexo de culpa do pai. Fodor, no seu livro, The Story of the Poltergeist, acena para a possibilidade de John ter violentado a própria filha. O incesto naquela época e naquelas fazendas não era tão raro.
            A psicologia também explica que a Segunda Personalidade de Betsy, ao mesmo tempo em que se revolta contra o pai, também esbofeteia a si mesma na personalidade oficial, pelo duplo motivo de repreensão moralista de má filha e autodesprezo pela experiência brutal sofrida. Também por esta experiência traumática rejeitou o namorado.
            Descarregada a tensão nervosa com a morte do pai, e aliviada com a separação do namorado, Betsy não precisou mais de emissões telérgicas, e os fenômenos cessaram.
            Nem demônios nem espírito da bruxa. Basta uma simples análise dos fatos para perceber que quem dirige a telergia é o inconsciente problemático dos vivos.



 


Pe. Oscar G. Quevedo S.J
Parapsicóloco        

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